quarta-feira

A Solidão de iguais.
sou um espírito em busca de liberdade que vive aprisionado a um corpo frágil. Um corpo cheio de desejos que nem sempre trazem a satisfação plena. As vezes como demais... As vezes deixo de comer... As vezes sinto um pesar... As vezes uma euforia... Tenho vontade de dormir pra sempre... Tenho vontade de não dormir nunca... A esse corpo foi dado uma mente desproporcional, não cabe nele, falta espaço. Seria melhor que eu vivesse a viagem dos loucos, assim não teria ciência do que sou e não posso ser. Era preferível eu viver na inércia dos paralíticos, que ter pernas que não me levam a lugar algum. Era melhor que esse corpo limitado morresse, para dar asas ao meu enorme espírito. Que adianta ser brilhante, inteligente, se me relegaram a convivência com os limitados? Por que eu sei? Se é melhor não saber e viver num conto de fadas. Até quando isso perdurará? Por que você não me dá o tão mencionado livre-arbitrio? Assim eu escolheria entre usar minha mente brilhante para alguma coisa interessante ou deixar de tê-la já que não posso usá-la. Assim eu escolheria não viver mais, que viver essa vida morna, sem sal ou açucar e ainda ser condenada a agradecer por ela. Por que eu tenho que pagar por algo que não pratiquei e se pratiquei não lembro e se existe perdão por que não existe pra mim e se não posso tê-lo tão facilmente, deveria ter o livre-arbitrio de pagar agora ou depois, até o livre-arbitrio de ser julgada ou condenada sem julgamento. Por que um ser é condenado a viver assim? Sem família, sem amigos, sem amor e sem vontade própria e ainda ter que ouvir demagogos dizerem que eu estou errada. Se existe uma razão pra tudo, preciso saber por que estou aqui. Já perdi muita coisa, não me faça perder o respeito por você.
Marize Melo

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Desci, será que valeu a pena?
 

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